sábado, abril 07, 2007

EXISTEM PROVAS?

“Não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da humanidade”
(Alan Kardec)



A doutrina espírita nos ensina a termos uma fé raciocinada: convicção. Contudo, Alan Kardec combateu o fanatismo e advertiu os espíritas: caso a ciência prove que o Espiritismo está errado, mudemos o Espiritismo. Neste mês comemora-se no mundo todo os 150 anos do lançamento do Livro dos Espíritos e, não obstante, a doutrina ter atravessado o século de maior desenvolvimento científico da história da humanidade, ela resta incólume, perfeitamente intacta, tal como ensinaram os Espíritos Superiores. No mesmo período, caíram teorias de Isac Newton, de Albert Einstein, de Freud, de Marx, só para ficar em alguns exemplos de grandes pensadores da humanidade.
Como afirmei no artigo anterior, as provas da existência do espírito são vastas. Impossível resumi-las em um artigo. Há dezenas de livros, pesquisas, testemunhos, gravações, fotos e filmagens fidedignas. Poderia citar as várias vivências e pesquisas sobre o modelo organizador biológico (MOB), desdobramento ou experiências fora do corpo (EFC), as experiências no leito de morte (ELM), os registros das terapias de vidas passadas (TVP), as premonições e curas espirituais, as pesquisas de Ian Stevenson sobre reencarnação e as de Hernani Guimarães Andrade sobre Matéria Psi, estes como singelos exemplos.
A vanguarda dos pesquisadores e estudiosos da realidade espiritual já atravessou – faz tempo – a linha demarcatória entre a pesquisa que busca a certeza da existência dos espíritos e o contato. Agora se concentram em aperfeiçoar o contato com o mundo espiritual.
Assim que Chico Xavier lançou o primeiro livro psicografado Parnaso de Além-Túmulo a polêmica, desconfiança, o escândalo instalou-se, pois os 59 poemas do livro eram assinados por 14 poetas ilustres, mas “mortos”, como Castro Alves, Humberto de Campos, Casemiro de Abreu, Olavo Bilac, Cruz e Souza, entre outros.
Em 23 de abril de 1935, o correspondente do Jornal O Globo, Clementino de Alencar, desembarcou em Pedro Leopoldo para investigar e desmascarar a impostura com a elite literária brasileira. O jornalista teve seu orgulho surrado e sua argúcia desorientada. Viu Chico psicografar vários poemas em velocidade vertiginosa, com caligrafia, estilo e assinaturas diferentes para cada autor. Não satisfeito, fez perguntas sobre assuntos diversos, de chofre. Surpreendido, colheu as respostas do mundo espiritual. Aturdido, viu o matuto médium – de formação educacional primária – responder questionamentos em inglês, escrito de baixo para cima, de trás para frente, num amontoado de letras embaralhadas que grafavam o papel em velocidade assustadora e que só podiam ser lidas com ajuda de um espelho, não raro antecipando respostas a desconfianças não reveladas.
Foi a primeira de muitas investigações a que Chico fora submetido. Nenhuma encontrou senão idoneidade e autenticidade do fenômeno, atestado por várias pesquisas e técnicas, tal como a inserta no livro A Psicografia à luz da grafoscopia, que atestou cientificamente a legitimidade da caligrafia e assinatura dos defuntos e transformou o cético professor do Departamento de Patologia Aplicada, Legislação e Deontologia da Universidade de Londrina, professor Carlos Augusto Perandréa, em espírita convicto e fez com que o Jornal O Estado de São Paulo, em editorial, afirmasse que se Chico não recebia os textos de espíritos, deveria ter direito a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras - ABL.
Não à toa que Chico Xavier foi eleito em 2000 o Mineiro do Século pelos leitores da revista Isto É e o Maior Brasileiro da História pelos leitores da revista Época, em setembro de 2006 (Vide artigo O Homem Amor neste blog, postado em setembro de 2006).
Hoje, os centros espíritas buscam cada vez mais aperfeiçoar os médiuns. No primeiro momento da explosão dos fenômenos era a curiosidade que movia os contatos, depois veio a busca por provas da autenticidade, em seguida as perguntas sobre cada aspecto do plano espiritual e, por fim, hoje busca-se o desenvolvimento de condições, técnicas e tecnologia para acessar e aproximar ainda mais os dois planos.
No Rio de Janeiro, no famoso Lar Frei Luiz, são rotineiras as sessões de materialização (ectoplasmia) e cura, com vários registros, inclusive fotográficos.
Nos hospitais, acumulam-se as experiências de quase morte (EQM). Em centros especializados de pesquisa, desenvolvem-se as projeções astrais também chamadas de experiências fora do corpo (EFC).
Dentre as pesquisas mais promissoras e surpreendentes está a Transcomunicação Instrumental – TCI. Sempre houve – apesar das mais robustas provas – alegações de que as mensagens recebidas por médiuns notáveis eram apenas produtos do subconsciente, de telepatia, de sugestionamentos, de crises epiléticas ou fraudes. Então veio o cheque-mate. Deus permitiu a prova peremptória. Em julho de 1959, houve o primeiro registro por aparelho eletrônico de uma voz paranormal, no caso, por uma fita magnética via gravador, captada casualmente por Friedrich Juergenson. Era apenas o início de uma longa empreitada. Atualmente, equipamentos de ponta registram não apenas vozes, mas imagens e cresce a interatividade entre os planos material e espiritual. Detalhe importante para os desconfiados de plantão, a maioria das gravações são feitas no reverso das seqüências dos registros magnéticos e eletrônicos. Ou seja, os espíritos gravam as expressões não no silêncio – o que seria passível de fraude -, mas utilizando o chiado de fundo para formar as palavras que só se tornam compreensíveis se ouvidas de trás para frente. Não existe tecnologia no mundo capaz de fazer isso.
A metodologia e as pesquisas já foram submetidas a peritos independentes e inclusive a várias universidades. Os registros em voz reversa são impossíveis de fraudar. Recentemente, um Laboratório Internacional e Interdisciplinar de Biopsicocibernética, que fica na Itália, confirmou o fenômeno. Ou seja, a voz espiritual gravada por meio eletrônico, por Sonia Rinaldi – a maior pesquisadora de TCI no Brasil -, realmente é a mesma da pessoa já desencarnada, gravada – antes do desenlace - em secretária eletrônica.
Na década de 50 o Vaticano investigou o fenômeno e também atestou sua veracidade, aceita pelo Papa Pio XII como irrefutável, mas com reserva doutrinária, afinal a descoberta colide com um dos dogmas da igreja: a incomunicabilidade dos “mortos”.
O fenômeno é um fato e há no mercado editorial vários livros explicando-o e fornecendo inclusive CD’s com gravação das vozes, que também podem ser escutadas pela Internet, em sítios especializados.
Na esteira dessas pesquisas e fenômenos, expande-se, também, o número de associações de médicos espíritas e tem se qualificado o debate sobre aspectos técnicos da saúde, debate este que tem desbordado dos muros de centros espíritas e associações e invadido universidades e instituições oficiais.
O manual de estatística de desordens mentais da Associação Americana de Psiquiatria – DSM IV – alerta, expressamente, que o médico deve tomar cuidado ao diagnosticar como alucinação ou psicose ocorrências em pessoas religiosas que dizem ver ou ouvir espíritos de pessoas mortas porque isso pode não significar uma alucinação ou psicose.
O número 10, questão F 44.3, do Código Internacional de Doenças (CID), que é utilizado no mundo todo, reconhece a existência dos estados de transe. Faz distinção entre os normais – assim considerados os que acontecem por atuação dos espíritos -, dos que são patológicos, provocados por doença. Distinção similar é encontrada no capítulo dedicado ao estudo das personalidades do Tratado de Psiquiatria de Kaplan e Sadock, que está entre ao mais consultados pelos psiquiatras. Ou seja, a Psiquiatria já reconhece distinção entre o estado de transe normal ou espiritual e o dos psicóticos, que são anormais ou doentios.
Portanto, a pesquisa realizada pelo psiquiatra Alexandre Moreira de Almeida, membro do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais da USP, que constata que os médiuns são pessoas com plena saúde mental e estão entre os mais ajustados socialmente, não traz novidade, mas apenas confirma as distinções entre transe normal e patológico, já noticiadas acima, e que afastam explicações de que a mediunidade é apenas uma “disfunção”, “um mau funcionamento” do cérebro.
O brilhante psiquiatra Carl Rogers, um dos fundadores da Psicologia Humanista, após anos confrontando tantas evidências da existência do espírito, confessou humildemente:
“Tenho a certeza de que nossas experiências terapêuticas e grupais lidam com o transcendente, o indescritível, o espiritual. Sou levado a crer que eu, como muitos outros, tenho subestimado a importância da dimensão espiritual ou mística.”
Coube ao Prêmio Nobel de Fisiologia, Dr. Charles Richet, a melhor descrição sobre os que estudam desarmadamente os fenômenos espirituais:
“Um primeiro fato é evidente: é que todas as vezes que um sábio assentiu em estudar de maneira aprofundada esses fenômenos, chamados outrora de ocultos, adquiriu a convicção da existência desses fenômenos. Na história da Metapsíquica, não conheço sequer um caso, nem sequer um, de um observador consciencioso que, após dois anos de estudos, tenha concluído por uma negativa.”
As provas estão aí.
Contudo, ainda é conveniente ignorá-las.
Calha, à propósito, a lição de Arthur Clark sobre os cientistas: “Primeiro eles dizem que não existe; depois dizem que é impossível; por fim brigam para provar quem descobriu primeiro.”
A postura radical e irracional de alguns materialistas lembra um dos defensores ardorosos da teoria dos miasmas, que ao ser chamado para ver ao microscópio as bactérias - e assim ter sua teoria contrariada -, esquivou-se da comprovação refutando: Nem vendo eu acredito!

sábado, março 31, 2007

RADAR

150 ANOS DO LIVRO DOS ESPÍRITOS



A Federação Espírita Brasileira – FEB está promovendo em todo país uma série de eventos em comemoração aos 150 anos do lançamento do Livro dos Espíritos, um marco para a nova humanidade.


2º CONGRESSO ESPÍRITA BRASILEIRO


Entre 12 e 15 de abril de 2007 será realizado o segundo Congresso Espírita Brasileiro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. Os principais conferencistas, estudiosos e pesquisadores falarão ao público, dentre eles: Divaldo Franco, Raul Teixeira, Marlene Nobre, Sérgio Felipe e o paraense Alberto Almeida, que no sábado a tarde abordará o tema A busca da felicidade, no simpósio Esperanças e Consolações.
Uma caravana de espíritas paraenses estará marcando presença no evento.


MEDNESP 2007


Será em São Paulo e em junho de 2007 o próximo Congresso da Associação Médico-Espírita do Brasil e da AME Internacional.
Já confirmaram presença o pediatra de Seatle e grande pesquisador da Experiência de Quase Morte (EQM), Dr. Melvin Morse; o prof. emérito de Psicologia Dr. Erlendur Haraldsson, pesquisador da reencarnação e da sobrevivência da alma; e a volta do brilhante Dr. Amit Goswami, físico quântico, prof. titular da Universidade de Óregon e escritor de várias obras como Universo Autoconsciente.


POR UM MUNDO MELHOR

O Movimento Nacional em Defesa da Vida realizou no dia 24 de março de 2007, na Praça da Sé, em São Paulo, um ATO PÚBLICO EM DEFESA DA VIDA, com o intuito de promover uma mobilização da sociedade brasileira, para que possa firmar o seu posicionamento contrário à legalização do aborto.
O movimento reuniu cerca de 5 mil pessoas e está monitorando a atuação dos deputados e senadores quanto aos projetos que tratam do tema.

segunda-feira, março 12, 2007

ESPÍRITOS EXISTEM?




“Substituir o exame pela mofa, é cômodo, mas pouco científico. Quanto a nós, julgamos que o dever elementar da ciência é pesquisar todos os fenômenos, pois a ciência, se os ignora, não tem o direito de rir; um sábio que ri do possível, está bem perto de ser um idiota.”

(Victor Hugo, poeta francês, em sua obra William Shakespeare)



Espíritos existem?
Sim, já não há apenas provas, mas muitas, diversas e produzidas por cientistas de renome, muitos dos quais céticos, sem qualquer ligação com nenhuma religião.
Então, se é assim, porque não se divulga isso?
Há muita pesquisa divulgada, mas o assunto mexe e repercute em aspectos importantes da vida: crença, fé, valores morais, estilo de vida, interesses. Ou seja, não é fácil aceitar este fato. É, ainda, cômodo e interessante negá-lo ou simplesmente ignorá-lo.
Este artigo é um exame crítico sobre como o assunto é conduzido por parte da mídia e ciência. Foi difícil escrevê-lo, porque há tanta informação interessante que é impossível resumi-las, em espaço tão pequeno, sem prejuízo do conteúdo.
A revista Superinteressante de março de 2007, edição 237, traz como matéria de capa o tema Espíritos: para ciência eles não existem e pronto. Segundo a revista, a reportagem teria apurado que a personalidade, inteligência, caráter seriam resultado das conexões cerebrais. Por isso conclui: “Quando morremos, as células têm o mesmo fim, sem deixar possibilidade para a alma ou fantasmas aflorarem”.
A qualidade de uma reportagem resulta, entre outras coisas, de basear-se em ampla pesquisa, em neutralidade e no maior número de fontes fidedignas e de opiniões diversas sobre o assunto. Do contrário, não se está ofertando notícia, mas se defendendo uma visão específica sobre os fatos que – como de todos é sabido -, não necessariamente é a verdadeira, mas aquela que acomode determinados interesses ou a cultura vigente.
Sobre esta prática da mídia de apagar as provas contra a cultura predominante, o jornalista Ronie Lima em sua excelente obra A Vida Além da Vida[1] declara: “ Mas por que esse lapso, esse apagar da memória de uma época? Para mim, como jornalista, isso não é propriamente surpreendente. Conheço bem esse processo lento e, na maior parte, inconsciente de esquecimento social. Episódios contrários ao senso comum podem até ser divulgados pela mídia, aqui e ali, em geral de forma folclórica, mas acabam abandonados nas entrelinhas da história, vitimados pelo filtro da cultura dominante. Em cada momento, padrões de notícias, de livros, de sistema educacional se tornam o pensamento hegemônico por sua reprodução constante – nada mais tendo valor.”
No caso da reportagem da Superinteressante, vê-se isso, além de paradoxos e erros, com todo respeito, palmares.
Dentre os paradoxos da referida reportagem está a notícia que recente pesquisa científica comprovou que os médiuns não são “anormais” ou doentes mentais e, noutro momento - depois ouvir apenas uma ala materialista da ciência - concluir que a mediunidade é resultado de um surto epilético. Opa, mas se a própria ciência materialista provou que os médiuns são absolutamente saudáveis, como falar em epilepsia?
Merece correção, também, a afirmação de que algumas civilizações registraram fenômenos mediúnicos. Isto não é exato. Todas as comunidades, sociedades, civilizações – sem nenhuma única e elementar exceção – registraram a mediunidade, com nomes e manifestações diversas. Isto é fato, não é fé.
Dizer, então que com a morte da célula a matéria desintegra-se e não há como disso sair um espírito é, data venia, ignorar completamente não apenas o Espiritismo, mas qualquer noção primária do espiritualismo moderno e de vastas pesquisas científicas já realizadas. É, por assim dizer, afirmar que o espírito resulta da matéria, o que equivale afirmar que o não funcionamento da TV torna impossível a existência dos atores.
A reportagem também cita experiência onde cientista, após excitar determinada área do cérebro de uma paciente, teria provocado nela visões. Com isto - veja-se que “prova irrefutável” -, concluiu-se que espíritos não existem, são apenas imagens distorcidas de um cérebro em mau funcionamento.
A seguir este raciocínio chegaríamos a conclusões aberrantes. O mesmo médico pode, por exemplo, excitar o cérebro de uma pessoa não epilética e provocar uma crise de epilepsia. Poderíamos, então, concluir que a epilepsia não existe?
Manipulando átomos de urânio a ciência cria as condições necessárias para manifestação da radiação nuclear. Manipulando partes do cérebro a ciência cria condições eletromagnéticas para acesso a estados alterados de consciência que se conectam como planos sutis de existência ou mesmo com os arquivos do inconsciente. A realidade das forças subatômicas preexiste à manipulação do urânio. Está lá, é elemento da natureza. Basta criar condições e a radiação emerge ostensivamente.
A realidade espiritual também preexiste e interage dinâmica e ininterruptamente com o mundo físico. É elemento do universo. Basta criar condições e ela emergirá, não como um resultado químico, fictício de campos eletromagnéticos, mas como realidade acessada por estes.
A ser de outro modo, poderíamos concluir que nada do que vemos realmente existe, é apenas efeito óptico da luz que gera uma imagem estimulada em nosso cérebro. Como provar? Basta apagar as luzes e não veremos nada. Como provar que os espíritos não existem? Fácil, basta parar de estimular o cérebro e eles somem. É exata e rigorosamente o mesmo raciocínio.
Caso você quisesse saber uma opinião imparcial sobre a existência de extraterrestres você perguntaria isso a um ufólogo? Caso você quisesse saber uma opinião neutra sobre a devastação das florestas na Amazônia, você perguntaria a um madeireiro que sobrevive da referida floresta? E sobre a existência de Deus, o ateu materialista é a pessoa mais indicada para dar opinião eqüidistante a respeito?
De um modo geral, esse é o tipo de abordagem usado pela mídia. De regra, ouve-se não a ciência, mas a ala materialista desta ou quando se ouve um cientista de outra opinião, apresentam-no não como cientista, mas como fiel. Só para ficar num singelo exemplo, existem várias associações de médicos espíritas no Brasil e uma entidade nacional, que têm vários estudos científicos publicados e várias teses de mestrado defendidas e aprovadas em academias de todo Brasil. Essas entidades promovem dezenas de eventos nacionais e internacionais para intercâmbio de estudos e controle de qualidade metodológica. Em 2006, os Estados Unidos e vários países da Europa tiveram encontros de Medicina com esta abordagem. A usar a mesma postura destas reportagens – e, ao reverso, desconsiderar a ala materialista -, seria exato então afirmar, categoricamente, que a ciência já comprovou a existência do espírito. Por que silenciar sobre isso? O público tem o direito de ter acesso a tais informações e ele próprio tirar suas conclusões e não se afirmar que a ciência pensa ou provou isto ou aquilo.
Repetem-se erros crassos e expõem-se paradoxos evidentes. Segundo a ciência..., que ciência? Não existe uma ciência, nem um órgão internacional que fale em nome da ciência oficial e mundial. Muito pelo contrário, não raro os cientistas se contestam reciprocamente, mesmo porque isso faz parte da saúde da pesquisa científica. Sobre o assunto em questão, o que não faltam – e aliás são muitos e em número crescente – são cientistas, alguns especialistas de renome, que defendem convictamente a existência dos espíritos. Então, noticiar que a ciência afirma que os espíritos não existem é não apenas um erro, mas uma grave distorção da verdade.
No mercado editorial nacional e internacional existem centenas de livros escritos sobre pesquisas e teses científicas e por cientistas que não pensam como os materialistas.
Seria mais honesto dizer que os cientistas materialistas – a grande maioria atéia – é que defendem esta bandeira. Importante que os leitores saibam, também, que embora seja crescente o número de cientistas que já aderiram à Nova Ciência – permita-me usar esta expressão – a maioria é não apenas materialista e atéia, como extremamente preconceituosa e fechada para estas questões, o que é, ressalte-se, anticientífico, pois o correto e ético não é negar a priori, mas pesquisar com isenção, sem preconceito ou idéia pré-concebia, como fazem, de regra, os materialistas, que adoram – vejam que ironia – acusar os religiosos de fanáticos, passionais e irracionais. Como são eles que detém os principais cargos nas universidades e centros de pesquisas e, portanto, que decidem quem leva financiamentos e quem ficará à margem, excluído, desacreditado, advinhe qual o resultado? No meio acadêmico, o bom nome, o prestígio é imprescindível para se conseguir bolsas, financiamentos, bons empregos, publicação de artigos e livros, pomposos convites, homenagens, prêmios. Quantos desses materialistas estão dispostos a por em risco esse tal estado de coisas?
Calha à fiveleta citar o jornalista Upton Sinclair: “É difícil conseguir que uma pessoa compreenda alguma coisa quando o salário dela depende de não compreender isso.”
Há poucos anos vários astrólogos assinaram manifesto protestando contra a política de financiamento nos EUA, que só apoiava pesquisas para provar a teoria do Big Bang, em detrimento das pesquisas que tentam provar outra origem ao universo. No início de 2007, vários cientistas denunciaram sofrer pressão para mudarem suas conclusões sobre o aquecimento global e outros denunciaram que seus relatórios são censurados e distorcidos por membros do Governo Americano. Os brilhantes físicos Fritjof Capra e Amit Goswami são exemplos recentes do que acontece com quem se aproxima da espiritualidade.
Infelizmente, quem ousa enfrentar o status quo paga um preço caro. Sobre a perseguição ao notável Sir. Willian Crookes, o russo Alexandre Aksakof informa: “A opinião pública mudou logo; o sábio, tão glorificado no começo, foi coberto de zombarias e epítetos desagradáveis. Outro qualquer, que não fosse o Sr. Crookes, não teria resistido, mas seu caráter era tão puro que ele não pôde recuar diante de suas observações”.
Mais tarde, após anos de perseguição desonesta e hostil, Sir. Crookes pronunciou-se: “Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a mostrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade, por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho as minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa.”
Quem foi Willian Crookes?
Foi um dos mais notáveis cientistas do século XIX. Em 1963 foi eleito membro da Royal Society e foi presidente da entidade, além de presidente da Chemical Society, do Institution of Electrical Enginneers, da British Association e da Society for Psychical Research. Dentre suas contribuições científicas, ficou conhecido por ter descoberto o Tálio, elemento químico número 81 da tabela periódica, o radiômetro, o espintariscópio, o tubo de raios catódicos, entre outros. Ainda trabalhou na divulgação da ciência, fundando o Chemical News e foi editor do Quarterly Journal of Scienci. Recebeu várias homenagens e títulos, como a Royal Gold Metal, em 1875; a medalha de ouro e 3000 francos da Academia de Ciências da França, em 1880; a David Medal, em 1888; a Sir Joseph Copley Medal, em 1904; e pela Rainha Victória foi nomeado Cavaleiro em 1897 e ganhou a ordem do mérito em 1910.
Na época Crookes resolveu investigar com rigor científico os fenômenos do Spiritualism que pululavam na Europa. Seus pares na ciência e a imprensa festejaram. Um sábio da ciência, finalmente, ia estudar e desmascarar fraudes e explicá-los racionalmente. Entre 1869 e 1875 foi realizada ampla e rigorosa pesquisa, contando com vários médiuns e testemunhas. Concluída a pesquisa, afirmou Crookes: “Considero meu dever enviar primeiro à Royal Society, porque assim fazendo, eu deliberadamente lanço o peso de minha reputação científica em apoio à verdade daquilo que envio.” A conclusão do notável cientista? Espíritos existem! Qual não foi a decepção da comunidade científica que logo reagiu com ironias e críticas. Em resposta, Crookes convidou-os a acompanharem as pesquisas e ofertou, para perplexidade de todos, fotos da materialização do espírito de Katie King. Escândalo, que logo deu lugar a mais vil calúnia e perseguição.
Em entrevista, 1917, na The International Psychic Gazette afirmou: “Nunca tive jamais qualquer ocasião para modificar minhas idéias a respeito. Estou perfeitamente satisfeito com o que eu disse nos primeiros dias. É absolutamente verdadeiro que uma conexão foi estabelecido entre este mundo e o outro”.
Outro ilustre pesquisador que sofreu duras perseguições foi o Cavaleiro da Legião de Honra e médico Paul Gibier. Discípulo de Louis Pasteur - o biologista que descobriu a vacina contra a raiva -, membro da Academia de Ciências de Nova York e da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, desabafa no livro As Materializações de Fantasmas: “Quando, por haver proclamado um fato, porque cremos saber que ele existe, vemos as portas da carreira que nos parecia destinada se cerrarem diante de nós, e até nossos mestres, colegas e amigos mais estimados darem ouvidos às baixas calúnias e se desviarem de nós. (...) Mas, enfim, é chegado o momento em que temos a satisfação de ver a avalanche de fatos crescer todos os dias.”
Tratar o tema existência de espíritos tão-somente como artigo de fé ou episódico objeto de interesse da ciência é, para além de um equívoco axiológico, um simplismo tosco.
O tema atinge, inevitavelmente, todos os quadrantes da civilização, desde a educação em vigor até o materialismo científico, passando pela cultura, forma de organização da sociedade, fundamentos da ética, política, saúde, definição de morte e, claro, religião.
Caso um dia você acordasse e no noticiário de todos os jornais do mundo estivesse estampado que foi comprovada a existência de espíritos, as conseqüências iriam muito além do mal estar em um punhado de religiosos e materialistas. Teríamos que rever 90 % do conhecimento científico e cultural da humanidade. Seria, de longe, a maior revolução de toda história. Quantos livros, reportagens, teses, modismos, consumos, desejos e “verdades” se tornariam lixo cultural? Quantas instituições seriam revistas? Quantas religiões se esfacelariam? Quantos mestres se tornariam discípulos? Quantas cátedras seriam abaladas? Quantos carreiras e negócios seriam atingidos? Quantos interesses seriam contrariados?
O mundo passaria a se perguntar: se existem, onde e como vivem? Eles podem se comunicar? Eles influenciam nossas vidas? Podemos rever amigos e entes queridos que partiram?
A questão da existência dos espíritos é universal, transcende religiões e doutrinas – inclusive o Espiritismo – é um fato que está vindo à tona gradativamente, sem pressa ou atropelo, nos quatro cantos do mundo, e tal como é indiferente amar ou odiar a lei da gravidade para que ela exista, a existência dos espíritos prescinde de nosso ponto de vista, fé ou interesse, para impor-se como fato e verdade inexorável.
No próximo artigo, faremos uma síntese das muitas provas irrefutáveis da ciência sobre existência do espírito.

[1] Nota: LIMA, RONIE. A Vida além da Vida, editora Mauad X, 2º edição, Rio de Janeiro, 2005, pg. 35.