segunda-feira, maio 31, 2010

O PURO AMOR[1].



“Basta um minuto para fazer um herói, mas é necessária uma vida inteira para fazer um homem de bem”(Paul Brulat, romancista francês)[2]



É fácil ser indiferente, egoísta, orgulhoso.
Difícil mesmo é amar.
O amor exige renúncias, sacrifícios, diálogo pautado na verdade, leal cooperação e, sobretudo, compreensão empática e espírito de servir. São exigências quase épicas em um mundo egóico, pautado no materialismo imediatista, que cultua o individualismo competitivo e glorifica o relativismo moral.
Amar sem condições, para além de limites e desinteressadamente é raro, exótico, algo heróico, quiçá quimérico.
É sempre prazeroso vermos laços afetivos alicerçados no amor. Contudo, o amor na sua máxima dimensão – se é que a conhecemos – raramente luze em nosso derredor. No mais das vezes, vemos atos puros de pleno amor sobressaírem do cotidiano do amor apequenado ou do marasmo tenso, desgastado e conflituoso de rotinas e de liças intermináveis, como exemplares raros do que temos de melhor.
Por outro lado, quando um ser humano encarna o amor sublimado, ele arrasta multidões, hipnotiza-nos e nos mergulha em um mundo íntimo iluminado e desconhecido que habita em nós.
Chico Xavier foi um desses seres extraordinários que toca o que há de melhor em cada um, mesmo naqueles que o refutam e criticam. O bem invade e vibra nos refolhos da alma, independentemente de volição, tal como o ar oxigena nossos pulmões, uma vez em contato com eles.
Chico foi a encarnação do sacrifício, do trabalho, da verdade e do servir. Por isso foi chamado de o homem amor. Título justo, pelo que amou e por ter nos exemplificado o amar. Amo Chico como amo os que mais amo. Sinto sua falta como um órfão de pai vivo. Contudo, no ano que comemoramos os 100 anos de seu nascimento regozija-nos senti-lo vivo em mais corações, como semente de luz, que na hora certa há de brotar.
Ave Chico!




[1] Este que vos escreve e ainda está longe do puro amor, andou indisciplinado e não conseguiu manter o blog atualizado. Conto com o perdão dos amigos leitores.


[2] Em setembro de 2006 postei o artigo “O homem amor” que faz um resumo da vida e obra de Chico Xavier. Dele repeti a frase da epigrafe e o espírito de respeito e admiração que nutro pelo homem, pelo escritor e pelo maior médium espírita já encarnado. O artigo ainda pode ser acessado no blog. Clique em 2006, desça até setembro e confira.

2 comentários:

Jomar disse...

Que bom que você voltou amigo. Imagino o quanto esteve atarefado por todo este tempo, mas também o quanto estava estava incomodado por não poder dividir conosco seus pensamentos.

Euripesca disse...

Parabéns pelas reflexões...e pelo excelente texto;Conheci esse blog por acaso, mas já faz parte dos meus favoritos. Grande abraço